Resenhas 2021

Nesta postagem, estão reunidas todas as mini-reviews das minhas leituras em 2020. O post será atualizado continuamente até o final do ano.

1.“Com amor, Creekwood” – Becky Albertalli. Os integrantes do Simonverse trocam e-mails nesse extra/continuação de “Simon vs. a agenda homo sapiens” e “Leah fora de sintonia”. Basicamente material para as shippers de Simon/Bram e Leah/Abby. 3/5

2. “The God-pleasing Crown Prince” (Heaven Official’s Blessing, v.2) – Mò Xiāng Tóngxiù. A backstory dos protagonistas gira em torno da queda do reino XianLe 800 anos antes do início do primeiro livro. Apesar da construção fascinante da devoção do Hua Cheng pelo Xie Lian (que começa como uma “devoção religiosa” pelo seu deus salvador e protetor, mas que na puberdade já havia se tornado uma atração física), o brilho dessa parte é a queda do reino. Esse romance tem empatia pelo movimento social que surge em Yong’an (a cena do casal pobre de refugiados rezando com a medalha do Xie Lian pouco antes do estopim do movimento é inesquecível), responsabiliza os governantes pelas escolhas erradas para lidar com a crise (a ironia da autora aparece em peso nessa sequência), mas também tem uma visão crítica sobre movimentos separatistas – especialmente aqueles “financiados” por “reinos estrangeiros”. Afinal, é a divisão do reino que [spoiler] causa a destruição de XianLe [/spoiler]. 5/5

3. “Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos” – Luis Fernando Verissimo. Eu gosto de começar o ano com uma boa antologia do Verissimo porque o considero acima de decepções, mas há uma primeira vez para tudo. As crônicas e contos desse livro parecem as “sobras” das publicações nos jornais, variando entre 2 páginas e mais de 30, sendo inconstantes e chatinhas. A melhor é “A Mancha”, que lida com o esquecimento dos crimes da Ditadura Militar. 2/5

4. Fullmetal Alchemist v.06 – Hiromu Arakawa. Final do flashback sobre o treinamento de Ed e Al, explorando os paralelos com a mestra (transmutação humana, encontro com a Verdade) e encerrando com a volta para o presente.

5, 6, 7 & 8. Hunter x Hunter v.01, 02, 03 & 04 – Yoshihiro Togashi. Um shounen de lutinha divertido, com várias lutas baseadas em jogos intelectuais.

9. “No paths are bound” (Heaven Official’s Blessing, v.3) – Mò Xiāng Tóngxiù. O terceiro e maior livro da saga reúne alguns dos melhores arcos junto com o desenvolvimento e a confirmação do casal principal maravilhoso. Enquanto todo o conteúdo do ship foi ótimo, gostei do crescimento do Xie Lian e os capítulos finais me fizeram prender a respiração, a minha parte favorita ainda assim foi o arco do Black Water.

É raro encontrar uma personagem trans que consiga escapar dos estereótipos e dos papéis geralmente reservados para elxs na cultura pop, mas esse definitivamente é o caso de Shi Qingxuan, minha personagem favorita (ao lado do Hua Chengzhu). Mestre do Ar, oficial celestial incorruptível e amigável com todos, mas que vê a sua ética falhar quando se trata [spoiler] dos crimes do irmão mais velho, Shi Wudu, para lhe proteger [/spoiler]. Ainda assim, é talvez a capacidade de Shi Qingxuan para conquistar todo mundo com sua personalidade bondosa e exuberante que lhe tenha [spoiler] salvado a vida. A despedida dos irmãos partiu meu coração em um bilhão de pedacinhos. O Mont Tong’lu chegou perto de reconstituí-lo antes de destruí-lo de novo [/spoiler]. 5/5

10. “White-clothed calamity” (Heaven Official’s Blessing, v.4) – Mò Xiāng Tóngxiù. Os eventos trágicos pré-segunda ascensão do Xie Lian e a melancólica origem do Hua Cheng fantasma. TUDO dói. 5/5

11. “Heaven Official’s Blessing” (Heaven Official’s Blessing, v.5) – Mò Xiāng Tóngxiù. O encerramento da saga é divertido, dramático, hilário, doloroso e lindo. As personagens e o casal conquistaram o meu carinho e se despediram com chave de ouro. Talvez o principal destaque vá para o vilão, assustador e surpreendente na medida certa. Acho que poucos protagonistas foram tão torturados psicologicamente e ao mesmo tempo manipulados de uma forma tão crível por um vilão como foi o Xie Lian – mesmo sabendo da verdade por causa de um spoiler, a revelação ainda surtiu efeito e fiquei tensa em todas as cenas do protagonista com o vilão. Não, ele não o mataria, mas poderia fazer algo muito pior, vide livro 4. 5/5

12. The Scum Villain’s Self Saving System” – Mò Xiāng Tóngxiù. Shen Yuan transmigra para o universo de uma “stallion novel” (aka livros em que o protagonista seduz várias mulheres, que se apaixonam loucamente por ele, ou seja, fantasias de harém), no papel do vilão Shen Qingqiu, que foi brutalmente assassinado pelo protagonista – seu discípulo – no original. A partir das suas alterações, sem que perceba, o “ódio” do protagonista se transforma em um amor obsessivo pelo mestre…

Seguindo na contramão dos outros livros da autora, este tem um começo forte, mas se perde na reta final por culpa do casal tóxico e mal-desenvolvido. A comédia e a metalinguagem são o ponto forte do livro. A paródia serve pra fantasia, narrativas de vingança, harém, má escrita de personagens femininas, “cheats do protagonista”, furos de enredo, etc. e todos os clichês imagináveis. Inclusive, a relação conflituosa e hilária entre o “anti-fã” (SQQ alega odiar o livro, mas é perceptível que tinha uma relação de amor e ódio com o texto) e o autor é um comentário interessante sobre a dinâmica dos criadores com os leitores. O tema final [spoiler] que o autor sempre quis escrever um romance gay, mas foi forçado a apagar isso/deixar no subtexto para que a obra se tornasse mainstream e lucrativa, portanto, o poder “transformativo” (fanfic/meta/etc.) do leitor se apropriando da história e resgatando as intenções originais… É fascinante.

Contudo, o casal principal é o ponto fraco da história. Luo Binghe é yandere, obcecado, manipulativo, maluco, psicótico, infantil, além de forçar a barra continuamente. Além disso, durante a maior parte da história (com exceção dum extra pós-fim), a impressão que fica é que os sentimentos de SQQ eram aqueles de um mestre por um discípulo, principalmente com uma boa dose de culpa por ter “falhado” com ele ao jogá-lo pro dark side. Se a intenção era retratá-lo como tsundere, não funcionou muito bem, ainda mais porque é possível amar ao discípulo sem estar apaixonado por ele – e essa é a sensação que a personagem passa. Uma pena que numa história sobre subverter as estruturas narrativas originais e o poder transformador da interpretação do leitor, o protagonista acabou se sujeitando ao “sistema”. 3/5

Lista de resenhas

Durante o ano, eu procurei resenhar brevemente todas as minhas leituras. O objetivo era guardar os meus principais pensamentos sobre cada uma das obras. No podcast, comentei as melhores leituras de 2019. Aqui está a lista completa.

Sem enrolações, segue a lista: Continuar lendo

Comentando Blood-C

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Saya Kisaragi é a sacerdotisa do templo de uma pacata cidadezinha e passa seus dias entre seu ofício e a escola. Mas a cidade e seus amigos se tornam alvo de criaturas monstruosas, os “antigos”, e cabe a ela empunhar a espada para enfrentá-los!

Detalhes da edição:

13 x 18 cm
200 páginas
Capa Cartão
Lombada Quadrada
Papel Pisa Brite
Publicação Bimestral
Preço: R$ 10.90
Distribuição Setorizada

Em 2011 passou no Japão o anime resultante da parceria entre o estúdio Production I.G. e o grupo de mangakás CLAMP. Com um início monótono, o anime feito por figurões e levando consigo o nome da excelente franquia Blood rendeu 12 episódios, um filme (Blood-C: The Last Dark, 2012) e o mangá de quatro volumes sobre a responsabilidade de Ranmaru Kotone.

É a versão shounen mangá que a Panini Comics, no selo Planet Mangá, lançou no Brasil em 2013. Como o anime me proporcionou tédio na melhor das hipóteses, comprei o mangá por não resistir às propensões de colecionadora, gostar do trabalho da Panini (tão bom quanto usual em Blood-C), colecionar a franquia Blood e os produtos com a assinatura CLAMP. E não me arrependi.

Enquanto Blood-C poderia ter utilizado de um maior desenvolvimento de suas tramas e personagens, quatro volumes era o ideal para o enredo principal. No terceiro volume está o plot twist interessantíssimo e inovador que talvez não tivesse o mesmo efeito caso a história fosse maior (pois muda completamente a percepção sobre todas as personagens envolvidas).

A verdadeira personalidade de Saya é tão gostável quanto a sua personalidade falsa, e o vilão – apesar de seus motivos que poderiam ser mais desenvolvidos – é interessante. Embora a combinação entre terapia e um flertar tradicional (ele é rico!) solucionariam seus problemas. As personagens que acompanhamos no último volume são legais e caso haja uma continuação com Saya e esse grupinho, serei uma leitora fiel.

Ranmaru Kotone é o “desconhecido” entre os autores de Blood-C. Embora não seja o primeiro trabalho seu que é uma adaptação (tendo já adaptado light novels e filmes antes), ele costuma fazer mangás de curta duração. A arte dele é competente e facilmente apreciável com o formato que a Panini utiliza para a franquia Blood (um dos melhores que tem a oferecer entre os formatos simples).

Recomendado para os que gostam de uma aventura (não tão vampírica quanto seus antecessores), Blood-C é legal, a reviravolta compensa a confusão inicial que proporciona. É construído no ritmo ideal para a trama, embora a falta de explicação sobre a identidade por trás do gato falante possa ser frustrante para os que desconhecem a obra da qual ele provém. Há easter eggs fáceis de encontrar para os fãs do CLAMP (inclusive no gato).

Nota geral: ♥♥♥

Review: As Peças Infernais – Cassandra Clare

Capas originais.

Capas originais, respectivamente, de Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica.

A trilogia de fantasia urbana As Peças Infernais (Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica) é prequel de Os Instrumentos Mortais, se passando 130 anos antes na Inglaterra vitoriana. Conta a história de Tessa Gray, que vai para Londres viver com o irmão mais velho, para então ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, as quais pretendem casá-la com um líder do Submundo – seu contratante Mortmain – e forçá-la a utilizar seus recém-descobertos poderes de se transformar em outras pessoas a serviço de Mortmain e seus autômatos numa guerra contra Os Caçadores de Sombras (guerreiros que protegem o mundo dos demônios e membros do Submundo).

Salva e oferecida abrigo pelos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, Tessa envolve-se num triângulo amoroso com os Parabatai (e melhores amigos) Will e Jem, enquanto tenta descobrir a verdade por trás do seu nascimento e de sua habilidade. Enquanto o triângulo certamente é capaz de dividir os leitores entre os “times” do Will ou do Jem, em nenhum momento Tessa é tratada como um objeto a ser disputado com um vencedor ganhando seu coração, e a amizade entre os garotos é um dos pontos fortes da saga. Continuar lendo