Resenhas 2021

Nesta postagem, estão reunidas todas as mini-reviews das minhas leituras em 2020. O post será atualizado continuamente até o final do ano.

1.“Com amor, Creekwood” – Becky Albertalli. Os integrantes do Simonverse trocam e-mails nesse extra/continuação de “Simon vs. a agenda homo sapiens” e “Leah fora de sintonia”. Basicamente material para as shippers de Simon/Bram e Leah/Abby. 3/5

2. “The God-pleasing Crown Prince” (Heaven Official’s Blessing, v.2) – Mò Xiāng Tóngxiù. A backstory dos protagonistas gira em torno da queda do reino XianLe 800 anos antes do início do primeiro livro. Apesar da construção fascinante da devoção do Hua Cheng pelo Xie Lian (que começa como uma “devoção religiosa” pelo seu deus salvador e protetor, mas que na puberdade já havia se tornado uma atração física), o brilho dessa parte é a queda do reino. Esse romance tem empatia pelo movimento social que surge em Yong’an (a cena do casal pobre de refugiados rezando com a medalha do Xie Lian pouco antes do estopim do movimento é inesquecível), responsabiliza os governantes pelas escolhas erradas para lidar com a crise (a ironia da autora aparece em peso nessa sequência), mas também tem uma visão crítica sobre movimentos separatistas – especialmente aqueles “financiados” por “reinos estrangeiros”. Afinal, é a divisão do reino que [spoiler] causa a destruição de XianLe [/spoiler]. 5/5

3. “Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos” – Luis Fernando Verissimo. Eu gosto de começar o ano com uma boa antologia do Verissimo porque o considero acima de decepções, mas há uma primeira vez para tudo. As crônicas e contos desse livro parecem as “sobras” das publicações nos jornais, variando entre 2 páginas e mais de 30, sendo inconstantes e chatinhas. A melhor é “A Mancha”, que lida com o esquecimento dos crimes da Ditadura Militar. 2/5

4. Fullmetal Alchemist v.06 – Hiromu Arakawa. Final do flashback sobre o treinamento de Ed e Al, explorando os paralelos com a mestra (transmutação humana, encontro com a Verdade) e encerrando com a volta para o presente.

5, 6, 7 & 8. Hunter x Hunter v.01, 02, 03 & 04 – Yoshihiro Togashi. Um shounen de lutinha divertido, com várias lutas baseadas em jogos intelectuais.

9. “No paths are bound” (Heaven Official’s Blessing, v.3) – Mò Xiāng Tóngxiù. O terceiro e maior livro da saga reúne alguns dos melhores arcos junto com o desenvolvimento e a confirmação do casal principal maravilhoso. Enquanto todo o conteúdo do ship foi ótimo, gostei do crescimento do Xie Lian e os capítulos finais me fizeram prender a respiração, a minha parte favorita ainda assim foi o arco do Black Water.

É raro encontrar uma personagem trans que consiga escapar dos estereótipos e dos papéis geralmente reservados para elxs na cultura pop, mas esse definitivamente é o caso de Shi Qingxuan, minha personagem favorita (ao lado do Hua Chengzhu). Mestre do Ar, oficial celestial incorruptível e amigável com todos, mas que vê a sua ética falhar quando se trata [spoiler] dos crimes do irmão mais velho, Shi Wudu, para lhe proteger [/spoiler]. Ainda assim, é talvez a capacidade de Shi Qingxuan para conquistar todo mundo com sua personalidade bondosa e exuberante que lhe tenha [spoiler] salvado a vida. A despedida dos irmãos partiu meu coração em um bilhão de pedacinhos. O Mont Tong’lu chegou perto de reconstituí-lo antes de destruí-lo de novo [/spoiler]. 5/5

10. “White-clothed calamity” (Heaven Official’s Blessing, v.4) – Mò Xiāng Tóngxiù. Os eventos trágicos pré-segunda ascensão do Xie Lian e a melancólica origem do Hua Cheng fantasma. TUDO dói. 5/5

11. “Heaven Official’s Blessing” (Heaven Official’s Blessing, v.5) – Mò Xiāng Tóngxiù. O encerramento da saga é divertido, dramático, hilário, doloroso e lindo. As personagens e o casal conquistaram o meu carinho e se despediram com chave de ouro. Talvez o principal destaque vá para o vilão, assustador e surpreendente na medida certa. Acho que poucos protagonistas foram tão torturados psicologicamente e ao mesmo tempo manipulados de uma forma tão crível por um vilão como foi o Xie Lian – mesmo sabendo da verdade por causa de um spoiler, a revelação ainda surtiu efeito e fiquei tensa em todas as cenas do protagonista com o vilão. Não, ele não o mataria, mas poderia fazer algo muito pior, vide livro 4. 5/5

12. The Scum Villain’s Self Saving System” – Mò Xiāng Tóngxiù. Shen Yuan transmigra para o universo de uma “stallion novel” (aka livros em que o protagonista seduz várias mulheres, que se apaixonam loucamente por ele, ou seja, fantasias de harém), no papel do vilão Shen Qingqiu, que foi brutalmente assassinado pelo protagonista – seu discípulo – no original. A partir das suas alterações, sem que perceba, o “ódio” do protagonista se transforma em um amor obsessivo pelo mestre…

Seguindo na contramão dos outros livros da autora, este tem um começo forte, mas se perde na reta final por culpa do casal tóxico e mal-desenvolvido. A comédia e a metalinguagem são o ponto forte do livro. A paródia serve pra fantasia, narrativas de vingança, harém, má escrita de personagens femininas, “cheats do protagonista”, furos de enredo, etc. e todos os clichês imagináveis. Inclusive, a relação conflituosa e hilária entre o “anti-fã” (SQQ alega odiar o livro, mas é perceptível que tinha uma relação de amor e ódio com o texto) e o autor é um comentário interessante sobre a dinâmica dos criadores com os leitores. O tema final [spoiler] que o autor sempre quis escrever um romance gay, mas foi forçado a apagar isso/deixar no subtexto para que a obra se tornasse mainstream e lucrativa, portanto, o poder “transformativo” (fanfic/meta/etc.) do leitor se apropriando da história e resgatando as intenções originais do autor [/spoiler]… É fascinante.

Contudo, o casal principal é o ponto fraco da história. Luo Binghe é yandere, obcecado, manipulativo, maluco, psicótico, infantil, além de forçar a barra continuamente, [spoiler] culminando num estupro [/spoiler]. Além disso, durante a maior parte da história (com exceção dum extra pós-fim), a impressão que fica é que os sentimentos de SQQ eram aqueles de um mestre por um discípulo, principalmente com uma boa dose de culpa por ter “falhado” com ele ao jogá-lo pro dark side. Se a intenção era retratá-lo como tsundere, não funcionou muito bem, ainda mais porque é possível amar ao discípulo sem estar apaixonado por ele – e essa é a sensação que a personagem passa, ao ponto de se sacrificar várias vezes pelo ingrato. Uma pena que numa história sobre subverter as estruturas narrativas originais e o poder transformador da interpretação do leitor, resgatando o conteúdo LGBTQ+ censurado, o protagonista acabou se sujeitando ao “sistema”. Além disso, pior ainda é realizar que a história – de um BL! – seria melhor sem a “parte gay”. 2,5/5

13. “Se você pudesse ser minha” – Sara Farizan. No Irã, Sahar se desespera quando descobre que sua namorada secreta e melhor amiga, Nasrin, vai se casar em breve. Se o relacionamento entre as garotas fosse descoberto, as consequências seriam graves: espancamento, prisão, até mesmo execução. O grande acerto do livro é retratar como é difícil – e perigoso – ser LGBTQ+ no Oriente Médio. Gostei muito da exploração de como a “aceitação” de transexuais pelo governo iraniano não significa que seja mais fácil do que para os outros grupos. Contudo, a autora falhou na construção do casal como um reflexo desse cenário angustiante – longe de ter sido obrigada, Nasrin escolhe se casar por interesses financeiros. Ela é mimada e inconsequente, achando que poderia ter um marido rico e otário, e manter a namorada na surdina, sem refletir sobre os perigos que as aguardariam ou os sofrimentos que traria para os três.

Além disso, embora tenha descendência iraniana, a autora é norte-americana, o que é perceptível em algumas escolhas narrativas e opiniões apresentadas pela narradora. Por exemplo, palavras em persa foram inseridas nos diálogos sem necessidade, como é comum nas novelas da Globo que forçam um sotaque para passar “verossimilhança” aos personagens estrangeiros. Apesar desses problemas, a resolução é coerente com a narrativa [spoiler] por mais que eu preferisse que tivesse ficado mais claro que Sahar vai seguir em frente [/spoiler]. 3/5

14. “A nuvem da morte” – Arthur Conan Doyle. Nesse curto romance, o excêntrico professor Challenger reúne os parças na sua casa para alertá-los que o mundo está perto do fim. Challenger sabe uma maneira de salvá-los (e, por algum motivo, imagino que elitismo, não aplicou nos funcionários que viviam na sua mansão. Ótima pessoa). Para uma ficção científica sobre um iminente fim do mundo, é bem chatinha. Há elementos sutis do racismo e da xenofobia esperados para um homem do tempo do autor (os britânicos – brancos, claro – ficaram por último porque são “mais complexos” do que os outros povos. Além disso, “revolta racial” nos EUA é citada como um sinal do fim dos tempos). A relação entre os autores e suas obras é sempre curiosa – Doyle odiava seu detetive famoso, mas apreciava esse romance. 2/5

15 & 16 Yu Yu Hakusho v.01 e 02 – Yoshihiro Togashi. Yusuke morre antes da sua hora, salvando a vida de uma criança. O sacrifício contrapôs as suas atitudes de “delinquente” em vida, assim, sendo impossível determinar qual o lugar ideal para ele no além-mundo. Por causa disso, a guia espiritual Botan lhe informa que terá a chance de ressuscitar – desde que cumpra uma missão… O início de Yu Yu poderia facilmente ter dado origem a saga de um fantasminha camarada ajudando a criançada, uma história mais infantil e cômica, com umas boas pitadas de romance, ao invés do clássico shounen de lutinha com uma das melhores versões do Makai. Não que isso seja algo ruim: Yu Yu já começa leve e divertido, com uma proposta interessante, um traço competente e um protagonista carismático.

17. “Poesia que transforma” – Bráulio Bessa. Essa antologia de poemas tem inspiração na literatura de cordel, com uma pegada de autoajuda e de crítica social (principalmente ao preconceito contra nordestinos). As ilustrações são uma gracinha e os relatos autobiográficos que acompanham os poemas enriquecem a edição. Aliás, é um dos ebooks mais bonitos da minha coleção. Contudo, senti que faltou “substância” para a maioria das poesias, os poemas do miolo não têm o mesmo impacto dos que abrem e fecham a antologia. 3/5

18. “O Rei Perverso” – Holly Black. Na continuação do romance “O Príncipe Cruel”, Jude Duarte tem que manter o controle do Reino das Fadas (e de seu rei, Cardan, o personagem-título) em meio a intrigas palacianas, traições e conflitos políticos. Agora que adquiriu o poder absoluto dentro da Grande Corte, seria realmente capaz de passá-lo para outra pessoa? Se no primeiro livro “família” precedia “ambição” para a protagonista, na sequência ela está cada vez mais distante dela, enquanto se envolve cada vez mais com Cardan. O jogo de “gato e rato” dos inimigos-amantes é uma constante tensão no cenário de fundo do livro, sendo tão provável que eles se peguem quanto que se destruam mutuamente. Situado dentro do universo dos contos de fadas cruéis da autora, essa trilogia é o auge da saga. 5/5

19. Slam Dunk v.9 – Takehiko Inoue. A partida contra o Shoyo chega ao fim com Rukawa confortando e encorajando (a sua maneira) Sakuragi, assim desenvolvendo o laço entre os “rivais” (que, em como todo bom mangá de esporte, são o verdadeiro “romance” da narrativa =P). Esse volume foi engraçado e emocionante na medida certa.

20. D.Gray-Man Illustrations: Noche – Katsura Hoshino. Artbook de DGM, com as belíssimas ilustrações da série. Além disso, no final há duas entrevistas da Hoshino que enriquecem a obra, uma na companhia do autor de Kochikame, outra com seu ídolo Takeshi Obata. O único defeito é que poderia ser maior. 5/5

21. “The land I lost” – Cassandra Clare & Sarah Rees Brennan. Um extra do universo dos Caçadores de Sombras que conta a história de como Malec adotou Rafael. A caracterização do Alec está impecável, provando novamente porque é o meu personagem favorito desse universo (e um dos favoritos em geral). Contudo, me pergunto quão menor seria essa novela sem as contextualizações para explicar as muitas pontas de personagens das várias sagas da CC. Isso dito, a empatia do Alec e a fofura do melhor casal da saga (com participação especial do segundo melhor casal) suplantam qualquer defeito. 4/5

22. Given v.03 – Natsuki Kizu. O conforto depois da dor. Nesse volume, o casal principal esclarece que os sentimentos são mútuos e começam um namoro fofinho. Além disso, eu adquiro o meu selo de problemática por achar a relação disfuncional e complicada do Akihiko com o Ugetsu mais interessante do que com o Haruki (principalmente porque esse último não me convence como personagem).

23. “Sombra e Ossos” – Leigh Bardugo. Nesse romance, Alina descobre que é uma Conjuradora do Sol e a única que poderá salvar o seu país. Faz tempo que eu não tinha sentimentos tão mistos com relação a um livro – de um lado, Leigh Bardugo sabe como contar uma história que prende a leitora e o vilão é a mistura de frio, arrogante, charmoso e com motivações interessantes que me atraem. Por outro lado, longe do mundo fascinante de Six of Crows, a fantasia desse livro parece mais uma metáfora pálida para o Ensino Médio norte-americano. Tem a mocinha comum que se envolve com “o rapaz mais popular da escola” e ambos viram “o rei e a rainha do baile”, a mean girl, os grupinhos rivais… Além disso, a protagonista é ok, mas também é uma heroína fraca – há um momento em que o gaslighting do vilão acerta em cheio: [spoiler] “você tem o poder para salvar o seu país, mas prefere ser a dona de casa do rastreador”. [/spoiler] Ou a donzela em perigo mais do que disposta a esperar que outra pessoa solucione todos os seus problemas, até ser forçada a agir. Isso dito, a reta final é empolgante e deixa um bom gancho para a sequência. 3/5

24. Dragon Ball Edição Definitiva v.3 – Akira Toriyama. Nesse volume, Goku e Kulilin terminam o treinamento com o Mestre Kame e participam pela primeira vez do Torneio das Artes Marciais. A partir desse volume, DB começa um processo de transformação de um gag mangá (comédia) para um shounen de lutinha (ação). Esse é o ponto em que a história realmente começa. Aliás, há vários momentos desse torneio que serão referenciados no epílogo, tanto no aspecto visual quanto nos diálogos. Há paralelos entre Goku aqui e Pan no epílogo, assim como o competidor Nam e o futuro discípulo de Son Goku, Oob (ou “Ubu”). De resto, é um volume muito divertido, cheio de lutas ágeis e o companheirismo entre Goku e Kulilin é adorável. Também acredito que seja nesse momento em que “lutar” passou de uma finalidade (salvar os outros) para um esporte para o protagonista. Além de herói, Goku é um grande artista marcial. 5/5

25. Prelúdio do Arco-Íris – Osamu Tezuka. Essa antologia reúne one-shots (contos em mangá) de Osamu Tezuka publicadas em revistas shoujos (público-alvo feminino) entre 1958 e 1975. Na verdade, a maioria saiu entre 1958 e 1959, com exceção da história “Prelúdio do Arco-Íris”, publicada em 1975. Graças a isso, é possível notar uma significativa mudança no traço, além da evolução técnica – por exemplo, o enquadramento engessado da segunda imagem em comparação com o enquadramento dinâmico da terceira imagem.

Osamu Tezuka é um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento dos mangás. Não é por nada que ficou conhecido como o “Deus dos Mangás”. Como uma leitora de mangás e colecionadora, é até vergonhoso admitir que, apesar de saber muito sobre ele, essa é a primeira vez que realmente leio esse clássico autor. E o que posso dizer é que, mais do que seus méritos técnicos, Tezuka era um grande contador de histórias. Em nenhum momento fiquei entediada ou me perdi nas narrativas. Esses contos podem não ser o melhor que ele tem a oferecer, mas são uma boa porta de entrada.

Também é possível notar os problemas e os méritos. De um lado, há a representação racista dos negros. Essa representação ser comum na época não a torna aceitável. Por outro lado, sendo uma antologia voltada para garotas, me surpreendi positivamente com a representação das mulheres. Elas possuíam agência, papéis significativos nas histórias e objetivos além do romance.

Com relação à edição da NewPop, a qualidade técnica é impecável. Contudo, a revisão deixou a desejar em alguns momentos.

26. Yu Yu Hakusho v.03 – Yoshihiro Togashi. A missão do detetive espiritual Yusuke é encontrar três objetos espirituais roubados por um grupo de youkais. Nesse volume, Yu Yu se torna um shounen de lutinha e temos a introdução de Kurama e Hiei (este último prova que todo mundo já teve uma fase feia na vida =P). A parte final do volume é centrada em uma nova missão para o protagonista, infiltrar-se na seleção de um discípulo pela Mestra Genkai. Curiosamente, essa seleção e o exame Hunter (de Hunter x Hunter, do mesmo autor) têm muito em comum.

27. Banana Fish v.01 – Akimi Yoshida. O mangá começa em 1973, no Vietnã, quando um soldado americano surta, ataca os outros e profere as palavras “banana fish”. Em 1985, nos EUA, o líder de gangue Ash tenta resolver esse mistério, pois pode ser a chave para acabar com a máfia de Papa Dino. Enquanto isso, o japonês Eiji é assistente de um jornalista em um trabalho sobre as gangues de Nova Iorque. Por causa disso, acaba se envolvendo nessa trama e, principalmente, se tornando o grande amor da vida do Ash.

Banana Fish lida com temas pesados como tráfico de pessoas, estupro, pedofilia. A trama policial abarca desde a máfia até esquemas governamentais. Além disso, o protagonista teve uma das vidas mais desgraçadas de qualquer mangá. Não é uma história minimamente feliz. Contudo, tem um ritmo eletrizante e é impossível não se apegar a relação central da trama. E a edição da Panini ficou muito bonita.

O que dizer de Banana Fish? É um mangá shoujo clássico. Não é shounen, não é BL, embora tenha uma representatividade LGBTQ+ significativa, mesmo que possamos apontar vários problemas. É uma obra excelente para se pensar na história de vida sofrida de muitas pessoas que cometeram crimes, por mais que a autora em si seja extremamente conservadora (nível “bandido bom é bandido morto”*). É uma tragédia, mas não é insatisfatória, já que a jornada do protagonista é completa. Essa é a minha primeira vez lendo o mangá, mas chorei horrores assistindo a adaptação linda para anime. Em ambas, a minha impressão é a mesma: Ash merecia ser feliz. 5/5

*Entrevista da autora (spoilers do final).

** Recomendo o VideoQuest sobre o anime de Banana Fish produzido pelo Amazon Prime.

28. “Arsène Lupin contra Herlock Sholmes” – Maurice Leblanc. Dividido em duas novelas interconectadas, “A Mulher Loura” e “A Lâmpada Judaica”, esse livro apresenta o duelo intelectual entre o ladrão francês Arsène Lupin e o detetive britânico Herlock Sholmes (qualquer semelhança com o detetive criado por sir Arthur Conan Doyle não é mera coincidência). Como fã de longa data do verdadeiro Sherlock Holmes, me diverti bastante com essa sátira. 3,5/5

Destaque para o deboche do Lupin [spoilers]:

“– O senhor! O senhor! Mas o senhor está preso! Sholmes me contou. Quando ele se despediu, Ganimard e seus trinta agentes o cercavam…

Lupin cruzou os braços e, com ar indignado:

– Então os senhores imaginaram que eu os deixaria partir sem dizer adeus? Após as excelentes relações de amizade que jamais deixamos de cultivar uns com os outros? Mas isso seria o cúmulo da indelicadeza. Por quem me tomam?”

29. Yu Yu Hakusho v.04 – Yoshihiro Togashi. Esse volume abarca o final do Torneio da Genkai e o começo de uma nova missão. Essas sagas são importantes porque desenvolvem a amizade do Yusuke com o Kuwabara, introduzem a Genkai e têm a “mudança de lado” de Kurama e Hiei, estabelecendo o quarteto/quinteto. Mas foi um volume bem chatinho.

30. “O Inocente” – Harlan Coben. Nesse romance policial, quando o ex-presidiário Matt Hunter finalmente está com a vida de volta nos eixos, um mistério envolvendo a sua esposa abala tudo. As várias tramas atrapalham o início da leitura, mas conforme elas se conectaram, foi impossível largar o livro. Coben merece o título de “mestre das noites em claro”. As personagens são dimensionais e os temas bem trabalhados (ambos se centram na definição da palavra “inocente” – até onde vai a culpa de Matt, Olivia, etc.? Até quando devem pagar pelo passado? O que significa seguir em frente e recomeçar?). Meu problema está na reta final. As reviravoltas não têm o traço marcante do autor, a genialidade dos seus quebra-cabeças não está tão presente nesse livro. Além disso, senti que o final foi feliz e amarradinho demais. 3,5/5

31. Monster v.01 – Naoki Urasawa. Monster é para muitos a obra-prima do célebre mangaká Naoki Urasawa. O pontapé inicial é o seguinte: o neurocirurgião Tenma recebe ordens para abandonar o paciente (um operário turco) e operar um tenor famoso. O operário morre. Quando se encontra diante de um dilema semelhante, ordenado a abandonar uma criança para operar o prefeito, Tenma se recusa.  Apesar das consequências profissionais e pessoais, essa decisão catalisa a sua nova filosofia de vida, priorizando a máxima da medicina (salvar vidas) acima das suas ambições. Anos depois, Tenma descobre que a criança virou um serial killer.

Como é comum nos thrillers japoneses, os questionamentos éticos são feitos sem que hajam respostas fáceis. Afinal, é fácil se indignar com as falas do diretor-geral e de Eva, se identificar com o protagonista e concordar com a sua escolha. Mas o que acontece quando se descobre que ressuscitou um monstro? Quando a base da sua crença é arruinada? Além disso, Urasawa é o tipo de autor que cria personagens marcantes mesmo quando possuem apenas uma participação insignificante. Nenhuma morte é gratuita. As situações são pensadas para gerar reflexão, não pelo simples choque.  

Essa edição definitiva 2-1 da Panini é, sem sombras de dúvidas, o mangá mais caprichado da minha coleção. Capa dura, papel de alta gramatura, páginas coloridas, sobrecapa que forma uma única ilustração com o restante das capas e uma capa interna muito bonita. O preço é salgado, ainda mais considerando que foi lançado originalmente em periodicidade bimestral, mas várias edições continuam disponíveis no site da editora. 5/5

32. D. Gray-Man v.27 – Katsura Hoshino. Nesse volume, Kanda gentilmente (a sua maneira) convence Allen a lhe contar a verdade sobre o passado. Allen tenta fugir do assunto, mas se lembra que também viu o passado doloroso de Kanda e resolve lhe contar tudo enquanto assistem ao pôr-do-sol. Nos flashbacks, o triste passado do protagonista (escravizado, discriminado e abusado em um circo) e a história de sua adoção por Mana são o foco do volume. O mangá promete, mais uma vez, fazer revelações dignas da reta final, mas com exceção de uma conversa ambígua entre Cross e Road (em que é insinuado que DGM na verdade se passa num – ou na ilusão de um – futuro pós-apocalíptico) não há nada de novo. O desenvolvimento de Yullen é belíssimo (também a sua maneira) e temos a prova, aqui, que Kanda – e não Johnny – era exatamente quem Allen precisava. É possível que haja foreshadowings (tanto esperançosos quanto trágicos) de um possível final, re: ir embora ao lado da pessoa amada ou morrer ao seu lado. A primeira opção é o meu sonho pra Yullen, afinal não custa nada sonhar quando ainda há no mínimo mais uma década pela frente, né? Já sobre a edição da Panini, parece que deu uma piorada significativa com relação aos volumes anteriores… Principalmente por conta do papel higiênico de má qualidade.

33. Dragon Ball Edição Definitiva v.4 – Akira Toriyama. Esse volume encerra o divertido arco do Torneio de Artes Marciais, com o “Jackie Chun” (Mestre Kame) ensinando uma lição que Goku levará até o fim do mangá: sempre há oponentes mais fortes. Além disso, também compila o início da saga Red Ribbon. A nova saga é uma paródia do cinema, brincando com os gêneros suspense/espionagem (em particular com os filmes de James Bond), aventura e faroeste. Destaque para a referência ao Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro (última foto). Com relação à edição, acredito que essa seja a que contou com mais páginas coloridas até o momento.

34. Given v.4 – Natsuki Kizu. Esse é um volume extremamente difícil de resenhar. Eu mencionei na minha review anterior que acho a relação disfuncional do Akihiko com o Ugetsu mais interessante do que com o Haruki. Esse triângulo pega fogo no v.4. Por um lado, Ugetsu se mostra uma personagem multifacetada e o seu lado da história é a melhor parte. Ele e Akihiko namoraram na adolescência, mas Ugetsu percebia o ressentimento – e o sofrimento – que o seu talento “superior” no violino causava no namorado. Assim, terminou o namoro, mas continuaram morando juntos. Esse “vai e volta” intensificou todos os sentimentos. Principalmente, aqueles de natureza negativa, como o ressentimento, a inveja, a raiva um do outro e a possessividade de Akihiko. Sim, é um sentimento de posse muito mais do que ciúmes – afinal, Akihiko transava com uma mulher quando recebeu a mensagem de que Ugetsu estava em casa com um novo namorado. Percebe a hipocrisia? Quando ele os encontra na cama, ambos se machucam fisicamente, sendo esse o estopim para o fim dessa relação.

Esse talvez seja o tema mais interessante de Given: Kizu defende que relacionamentos que consomem todo o seu ser, que um não existe sem o outro, caminham para uma direção mutuamente destrutiva. Relacionamentos sem essa intensidade, baseados em sentimentos mais leves e confortáveis – se sentir bem ao lado da outra pessoa – é que deveriam ser almejados. Contudo, enquanto Haruki pode representar isso para Akihiko, será que a recíproca é realmente verdadeira? Eis a segunda parte do volume: Akihiko desconta a “raiva” no amigo que é apaixonado por ele e o estupra. Não houve uma penetração peniana, mas enfiar os dedos no ânus de outra pessoa enquanto ouve um claro e enfático “não” é estupro. Ponto. O mangá parecia que ia tratar esse assunto com algum nível de responsabilidade, com Haruki magoado, compreensivelmente irritado, cortando os cabelos (simbolismo de seguir em frente) e impedindo que Akihiko lhe tocasse mesmo depois de este pedir desculpas e assumir a culpa. Ênfase em “parecia”, pois um voiceover misturado com cenas típicas de passagem de tempo enquanto moravam juntos (e Haruki realmente “conhecia” Akihiko) foi a justificativa para o perdão no final do volume. Given se saiu melhor do que outros BLs? Sim. Mas olha, se não vai tratar estupro com a devida gravidade, então não introduzisse uma cena desse nível entre um dos casais principais. Akihiko poderia ter humilhado Haruki de outra forma, forçado um beijo ou feito pouco caso de seus sentimentos. Não havia a menor necessidade de ir tão longe. 2/5

35. Monster v.02 – Naoki Urasawa. Esse volume pode ser dividido em dois momentos que remetem aos tankos originais. No primeiro, Tenma investiga o passado de Johan, que viveu em um orfanato bizarro na Alemanha Oriental. Destaca-se o apurado trabalho de Urasawa na contextualização histórica, afinal, a história de Monster se passa na Alemanhã após a Queda do Muro de Berlim. No segundo momento, Tenma e Nina se reencontram quando a busca pelo paradeiro de Johan os leva até um grupo neonazista que planeja um atentado terrorista contra um bairro turco. O grande tema desse volume, para os dois protagonistas, é manter a conexão com a humanidade. De um lado, Tenma salva – e adota – uma criança. Do outro, Nina tem que escolher entre a sua vingança e os seus princípios. Ambos desejam “proteger” o outro do fardo de se tornar o assassino de Johan. Por sinal, achei engraçado quando Tenma disse que Johan pode ser um monstro, mas não é racista e preconceituoso, pois despreza a humanidade sem discriminação. Taí uma ótima frase pra usar na defesa dos vilões favoritos. 5/5

36. “Dicas da imensidão” – Margaret Atwood. Essa antologia é centrada em mulheres cujas vidas não seguiram pelo caminho desejado, depressivas e cínicas, com o tema do adultério presente na maioria dos contos. O conto mais interessante é justamente o que apresenta outro tipo de abordagem desses temas: no conto “Tios”, uma jornalista bem sucedida é traída por seu primeiro mentor invejoso, que publica uma autobiografia com uma representação nada caridosa dela. Confesso que de resto, achei a maioria dos contos tão realistas que se tornavam maçantes. 3/5

37. “Fun Home – uma tragicomédia em família” – Alison Bechdel. Uma autobiografia em quadrinhos que também é um trabalho de memória e luto. Bechdel entrelaça o seu processo de sair do armário com a tristeza e confusão pela morte do pai, assim como a distância que sempre sentiu, por mais presente que ele estivesse em sua vida. 4/5

38. I hear the sunspot: Theory of Happiness. – Yuki Fumino. Entre os mangás lançados recentemente no Japão, esse é o meu favorito. Pena que dificilmente sairá no Brasil. Nessa continuação do BL I hear the sunspot, a introdução de uma nova personagem (Maya) culmina no casal protagonista finalmente se acertando. Além disso, Taichi recebe uma boa oferta de emprego, mas aceitá-la significaria abandonar a faculdade. Enquanto Kohei se mostra amadurecido e decidido sobre o que deseja para o futuro, Taichi tem um longo processo de amadurecimento pela frente. Fumino sabe equilibrar bem a história entre os dois. Se Kohei foi o protagonista do primeiro volume, Taichi é do segundo. Eu gostei também de como Maya cumpre a função de mover a trama sem necessariamente ser uma antagonista ou rival. Ela é só uma amiga implicante, com seus próprios problemas e dilemas, embora a sua implicância com Taichi o force a refletir sobre os seus sentimentos. Outra coisa que elogio desde o primeiro volume e se mantém aqui: Yuki Fumino permite que seus personagens portadores de deficiência auditiva sejam multifacetados, que errem e impliquem gratuitamente com os outros, que fiquem com raiva diante do preconceito e das dificuldades, mas também que cresçam a partir das novas experiências. O traço da autora evoluiu consideravelmente e as cenas em que Kohei fala de seus sentimentos por Taichi são lindas. 5/5

39. Atelier of witch hat v.02 – Kamome Shirahama. Um mangá fofinho centrado em uma aprendiza de bruxaria, cujo traço é muito bonito. Em outros tempos, manteria essa coleção. Infelizmente é impossível por conta do preço e da (in)disponibilidade.

40. Rosa de Versalhes v.05 – Riyoko Ikeda. Review com spoilers. No volume final desse clássico mangá shoujo, vemos a morte da maioria das personagens que acompanhamos durante essa história. E Ikeda faz isso de uma forma satisfatória. Todas completaram a sua jornada e tiveram bons finais. A morte de Oscar – simultânea a queda da Bastilha – é o final perfeito para a heroína que roubou a cena e representava os “heróis anônimos da nação”. Oscar se tornou tão icônica que ofuscou a rainha Maria Antonieta, embora esta tenha recobrado o protagonismo no volume final. E que final digno! Acredito que Ikeda foi justa com a rainha, a retratando como arrogante e mimada, mas que teve o seu momento triunfal durante o julgamento. Assim como no caso absurdo do colar, a acusação de incesto e a resposta de Antonieta (que era um insulto para todas as mães, uma resposta aclamada pelos cidadãos que a odiavam) foi outro momento que me levou a pesquisar e verificar que há realmente registro disso. Rosa de Versalhes foi um marco entre os mangás históricos em muito graças à pesquisa apurada de sua autora. Por mais que tenha elementos datados, ainda hoje é uma excelente leitura. 5/5

41. “Sol e Tormenta” – Leigh Bardugo. Na continuação de “Sombras e Ossos”, sentindo-se responsável pelas mortes na dobra, Alina alia-se ao príncipe Nikolai para derrotar o Darkling. A protagonista é proativa e tem objetivos bem definidos em comparação ao primeiro livro. Contudo, Alina continua mais reagindo do que indo atrás do que deseja. Um exemplo é a busca pelo pássaro de fogo, são quase 400 páginas com a protagonista não fazendo nada para encontrá-lo. A aliança com Nikolai e a peregrinação por Rakva seguem a mesma lógica, Alina reage aos objetivos do príncipe, deixa que seu relacionamento com Maly se deteriore, sem que nada de realmente relevante acontecesse enquanto esperam infinitamente pela chegada do Darkling. O ponto alto é a sequência final, Bardugo é excelente em produzir ganchos instigantes. 2/5

42. Yu Yu Hakusho v.05 – Yoshihiro Togashi. Esse volume encerra o arco das Quatro Feras e desenvolve a amizade do quarteto central do mangá.

43. Monster v.03 – Naoki Urasawa. Esse volume é composto por várias (ótimas) subtramas que desenvolvem as personagens, por mais que não avancem o enredo principal. Um ex colega de faculdade de Tenma planeja entregá-lo para as autoridades, mas acaba percebendo a sua inocência. Em outra trama, o inspetor quase captura Tenma, mas é salvo por ele. Nina se encontra com o assassino dos seus pais, ao invés de uma vingança, é forçada a salvá-lo – e reconhecer a sua humanidade (o que é recompensado). A busca obsessiva de Eva por Tenma lhe dá mais facetas e uma possível redenção. Por fim, até mesmo Johan ganha mais substância com o subplot – com gancho – ao final do volume, em que faz “amizade” com dois colegas de faculdade, sendo que Karl tem um passado parecido com o dele. 5/5

44. “Caçando carneiros” – Haruki Murakami. O protagonista (não nomeado) publica uma foto de carneiros em um anúncio publicitário, o que atrai a atenção de um político da direita japonesa. Assim, o protagonista é obrigado a procurar pelo carneiro da foto. Eu adorei “1Q84”, do Murakami, mas não posso dizer o mesmo sobre as continuações. “Caçando carneiros” tem os mesmos problemas que identifiquei nestes últimos: um estilo lúdico que serve para disfarçar o excesso de coincidências e que nada realmente acontece na maior parte do livro. O aspecto político é desperdiçado. Apesar desses problemas, a leitura é fluída. 2/5

45. Yu Yu Hakusho v.06 – Yoshihiro Togashi. O resgate de Yukina e o começo da maravilhosa saga do Torneio das Trevas. Em minha humilde opinião, esse é o auge de Yu Yu Hakusho. As personagens principais já foram introduzidas e estão sendo desenvolvidas, Toguro é um bom vilão, a “mascarada” entrou pro time e o quinteto é um poço de carisma. 5/5

46. Banana Fish v.02 – Akimi Yoshida. Impulsionado pela morte do irmão, assim que deixa a prisão, Ash decide se vingar de Papa Dino. Eiji, Max, etc. resolvem ajudá-lo a descobrir qual é o esquema por trás da droga banana fish e a denunciar os crimes dos mafiosos. Não há uma presença tão forte do romance nesse volume (Eiji só teve mais espaço no finalzinho), mas o desenvolvimento do enredo mais do que compensa por isso. Além disso, o ritmo do mangá é melhor e tem mais espaço para respirar entre as desgraceiras (em muito graças aos cliffhangers).

47. Yu Yu Hakusho v.07 – Yoshihiro Togashi. O Torneio das Trevas avança de forma muito divertida, provando que esse é o melhor arco de Yu Yu Hakusho.

48. Slam Dunk v.10 – Takehiko Inoue. A partida do Shohoku contra o Kainan se intensifica. Sakuragi apresenta um desempenho irregular, mas a contusão de um colega faz com que ele amadureça, entregue o seu melhor desempenho e finalmente trabalhe em equipe com o Rukawa. Esse é um dos volumes mais engraçados até agora, ri alto com as idiotices do Sakuragi. 5/5

49. “Sombras de reis barbudos” – José J. Veiga. Um dos principais escritores goianos em uma reedição impecável da Companhia das Letras. Publicado originalmente em 1972, esse romance constrói uma alegoria da Ditadura Militar brasileira por meio da história de uma cidade interiorana que é, aos poucos, dominada pela Companhia Melhoramento de Taitara. Apoiadores do golpe se tornam perseguidos políticos, os direitos são removidos gradativamente, normaliza-se o inaceitável e imposições absurdas transformam-se em leis arbitrárias. E ao final, a esperança de que esse regime cairá – e que dias melhores viriam – aparece na única instância do realismo mágico característico do Veiga. A alegoria é perfeita, mas não posso dizer o mesmo sobre o desenvolvimento do protagonista. A passagem dos anos só é perceptível pelo enredo, não pelo seu amadurecimento. Não parece que os anos realmente passaram para ele. Além disso, um evento na reta final me incomodou bastante (como é spoiler, estará disponível apenas no blog). Contudo, vale a leitura, pois continua muito atual. 3,5/5

*** Spoiler: no capítulo 7, Lucas é estuprado pela tia. “[…] De repente tia Dulce começou a tremer em cima de mim, me apertando, respirando fundo, cada vez mais forte, a mão em meu ombro me puxando, os dentes cerrados rangendo. Fiquei muito assustado pensando que fosse algum ataque de doença, eu ali enleado sem saber o que fazer. […] Quanto mais penso naquele tempo, mais admiro a perfeição do entendimento que existiu entre nós sem necessidade de combinação, de palavras. Eu fingia que estava dormindo quando ela chegava, ela fingia que estava dormindo quando se virava em cima de mim.” O texto é ambíguo, em alguns momentos o narrador idealiza uma relação entre eles, mas Lucas volta para casa mais magro e com pneumonia. Sequelas físicas que representam o abuso. O problema é o prefácio de Luiz Roncari que coloca esse acontecimento como uma “iniciação amorosa e erótica pela tia Dulce”. Irks.

50 e 51. Yu Yu Hakusho v.08 e 09 – Yoshihiro Togashi. As quartas de final e o início da semi-final do Torneio das Trevas. A criatura espiritual do ovo nasce e Genkai decide ensinar a técnica final para Yusuke. Além disso, não basta vencer os adversários, o time Urameshi também precisa vencer a “arbitragem tendenciosa” (leia-se roubalheira).

52. Bloom into you v.01 – Nio Nakatani. A primeira resenha do #mesdoorgulho é um lançamento da Panini. Esse mangá GL (Yuri, romance entre garotas) conta a história de Yuu Koito, uma adolescente que adora shoujos e músicas românticas, mas nunca se interessou de verdade por ninguém. Ela achava que a amiga Nanami era parecida nisso, até o dia em que Nanami se declarou para ela. Esse é o ponto de partida para um romance que tem tudo para ser muito fofo, com homenagem para a maioria dos clichês dos shoujos escolares. Yuu parece ter uma visão idealizada de romance, incompatível com a sua personalidade pragmática. Talvez o seu desenvolvimento seja justamente aprender que não precisa viver uma história de amor épica. A edição da Panini é o padrão atual. Geralmente não me incomodo com um pouco de transparência, mas esse volume tinha muita, o que é um absurdo considerando o tanto que o preço é salgado. Ainda assim, vale a leitura, pois é uma série curta (8 volumes). Recomendo o artigo do Jbox.

53. Monster v.04 – Naoki Urasawa. A subtrama do filho do milionário é resolvida, embora isso fortaleça os planos de Johan. Contudo, isso desperta a atenção do detetive, quem paga com a própria vida e arrasta um ex professor de Tenma e Gillen para essa trama. Tenma tem finalmente uma chance de matar Johan, mas será que até isso faz parte dos planos do vilão? Nina tem uma breve aparição nesse volume e se torna amiga de Lottie.  Assim, Urasawa costura todas as subtramas do volume passado ao enredo principal.

54 e 55. Yu Yu Hakusho v.10 e 11 – Yoshihiro Togashi. A conclusão da semifinal tem uma participação triunfal de Genkai. Depois disso, a mestra de Yusuke enfrenta Toguro (um conhecido de seu passado) e temos o momento mais trágico da trama. Já no volume 11, a morte de Genkai motiva o Time Urameshi na final do Torneio das Trevas. De um modo geral, achei que o mangá construiu a relação entre mestra e discípulo de uma forma mais convincente do que o anime (provavelmente porque o anime errou feio na seleção dos flashbacks pra relembrar o laço entre eles, o mangá por sua vez optou por só mostrar o luto de Yusuke sem rememoração. Eficiente).

56. Wotakoi: o amor é difícil para otakus v.03 – Fujita. Há tirinhas com ótimas sacadas, mas a falta de um enredo faz que não me prenda. Além disso, houve um aumento no preço. Não continuarei com essa coleção.

57. “O Castelo Animado” – Diana Wynne Jones. A adaptação desse livro é um dos meus filmes favoritos do Studio Ghibli, também é a obra mais famosa de uma clássica autora britânica que já havia lido anteriormente. Então, eu tinha altas expectativas para essa leitura e todas foram superadas. A história é semelhante ao filme: a jovem Sophie é enfeitiçada por uma bruxa que a transforma numa idosa. Decidida a desfazer o feitiço, Sophie vai atrás do seu destino e acaba no Castelo Animado do feiticeiro Howl. Entretanto, há algumas diferenças cruciais. O livro tem mais personagens femininas importantes e também tem mais personagens negras. Além disso, Sophie é mais pró-ativa, senhora de si e da própria magia. “O Castelo Animado” é uma leitura fantástica em sua simplicidade. A edição da Galera é tão encantadora quanto o livro. 5/5

58. Banana Fish v.03 – Akimi Yoshida. Eiji é seqüestrado, Shorter é infectado com o banana fish e induzido a matar Eiji. Ash, assim, tem de fazer uma escolha difícil… Não sei se é a minha memória, mas achei que no mangá a situação foi melhor trabalhada. Ash de fato fez uma escolha, da qual sabemos qual será a consequência…

59. “Moletom” – Julio Azevedo. Com elementos autobiográficos e sobre um romance de verão vivido por Pedro e Lucas, “Moletom” parece uma Coffeeshop AU. O mais interessante é o formato que intercala tirinhas/ilustrações feitas pelo autor com o texto. 3/5 (2 pela história, 3,5 pela arte).

60. O cão que guarda as estrelas – Takashi Murakami. Nesse singelo, doce e triste mangá de volume único, um cachorrinho acompanha o seu “papai” em uma viagem de carro pelo Japão. O pai é um homem desempregado, divorciado e diagnosticado com uma grave doença. Não é spoiler (sabemos pela primeira página) que essa história foi inspirada na lenda do Hachiko (um cachorro japonês real, que esperou pelo “dono” muito depois da morte deste). O traço de Murakami é simples e charmoso. Essa é uma leitura rápida, mas marcante. 4/5

61 e 62. Yu Yu Hakusho v.12 e 13 – Yoshihiro Togashi. O volume 12 tem o emocionante clímax do Torneio das Trevas. Já o volume 13 traz o encerramento da saga e um mini-arco de treinamento/ensinamento, dando também início a próxima saga com o anúncio de que o desejo dos vilões anteriores (abrir um túnel entre o mundo dos humanos e o dos demônios) está sendo realizado por outra pessoa… Além disso, houve uma queda drástica na qualidade da arte nesse volume.

63 e 64. Joy & Joy Second – Etsuko. Um BL fofinho sobre o romance entre um mangaká e seu assistente. A editora NewPop está de parabéns pela curadoria, o trabalho gráfico (a capa ficou linda) e em trazer um título que é um bom exemplo do que a demografia pode oferecer de melhor.

65. Slam Dunk v.11 – Takehiko Inoue. Reúne o grosso da partida contra o Kainan, uma partida cheia de reviravoltas e a mais difícil até o momento.

66. “Relatos de um gato viajante” – Hiro Arikawa. O gato Nana viaja com Satoru pelo Japão. Em busca de um novo dono para Nana, Satoru visita amigos e familiares que marcaram a sua vida. Esse romance é, sobretudo, uma história sobre amizade – entre Satoru e seus amigos, sobrinho e tia e, afinal, entre um homem e um animal. A escrita da autora não é poética, ela possui um estilo simples e conciso que emociona por causa da construção das relações entre as personagens. Tocante e singelo, “Relatos de um gato viajante” é uma bela história de amor platônico. 5/5

67. Monster v.05 – Naoki Urasawa. O plano de Johan se concretiza com um incêndio na biblioteca, mas Tenma mata o capanga dele e resgata a maioria das pessoas nela. Com uma informação importante sobre a mãe dos gêmeos, Tenma e Nina (cada um por conta própria) partem para Praga. Lá, o caminho de Tenma se cruza brevemente com o de um jornalista investigando o Kinderheim 511. A subtrama do jornalista resolve o mistério do orfanato (a “experiência” comunista não era “maligna”, apenas sobre como dar qualidade de vida para os órfãos, até o momento em que o diretor foi trocado e Johan chegou por lá…). Enquanto isso, a história de Nina se entrelaça com a do detetive Suk que, ao final do volume, assume a investigação deixada pelo jornalista. Além disso, há uma misteriosa mulher parecida com Nina assassinando – ou apagando os rastros – daqueles que possuem informações sobre o “Monstro”. Esse volume foi muito bom, mas deu pra sentir claramente que era um “2×1”, pois aconteceu MUITA coisa.

68, 69, 70 & 71. Yu Yu Hakusho v.14, 15, 16 e 17 – Yoshihiro Togashi. Esses volumes compilam o grosso da saga do Sensui. Provavelmente por conta dos problemas de saúde do autor, houve uma queda brusca na qualidade da arte, desde o traço ao enquadramento. Essa saga me lembra bastante o estilo de Hunter x Hunter, pois a estratégia é um elemento mais decisivo para as lutas do que a mera força bruta. Sensui é um vilão interessante, embora a extrapolação de aniquilar toda a humanidade para espiar os próprios pecados impeça que eu sinta qualquer simpatia pelo personagem. Parece que ele simplesmente trocou uma visão extremista – “todos os yokais são maus” – por outra – “todos os humanos são maus”. Nem mesmo se apaixonar pelo que odiava (Itsuki, esse sim, é fascinante) fez com que ele crescesse, fosse menos essencialista, para não dizer fascista. Por fim, o destaque dessa saga é Kurama, leal aos amigos e impiedoso na medida certa. Independentemente da versão, é sempre o meu favorito! Na metade do v.17, começa muito bem a saga do próximo torneio. A breve pontinha da detetive anterior, assim como as introduções de Mukuro e Yomi (dois personagens que eu adoro) são excelentes.   

72. “A rainha do nada” – Holly Black. Na eletrizante conclusão da saga iniciada em “O príncipe cruel”, Jude Duarte retorna ao mundo das fadas para salvar a irmã Taryn. Essa trilogia reúne o que há de melhor nas fadas cruéis da autora: magia, intrigas, politicagens, traições, disputas pelo trono e personagens em tons de cinza. A heroína Jude se sobressai justamente por sua complexidade. Ela foi moldada por aquele mundo, é ambiciosa e inflexível, mas também possuí o próprio código de ética. O mesmo se aplica a Cardan. O relacionamento atípico e disfuncional do casal protagonista (que já foram inimigos) acaba se revelando mais saudável do que é padrão na literatura juvenil. Além disso, o livro é envolvente do começo ao fim. 5/5

73. CardCaptor Sakura: Clear Card Arc v.05 – CLAMP. Finalmente é confirmado que a nova personagem era a figura misteriosa… ou não. Descobrimos também que Sakura é a responsável pela criação das novas cartas, embora ela ainda não saiba disso. E Shoran copiou os poderes da namorada para protegê-la, o que pode resultar em consequências desastrosas…

74. No touching at all – Kou Yoneda. Um BL centrado em um relacionamento de escritório. Sensível, desenvolvido de uma forma natural e que se sobressai a maioria do que era publicado na época. Problematiza a questão da homofobia no ambiente de trabalho e de um rapaz gay se envolver com um “hetero”. Eu preferi o spin-off, mas ainda assim é uma boa história.

75. “Ciranda da solidão” – Mário César. Essa é uma antologia de quadrinhos focados em relacionamentos entre personagens LGBT+ (principalmente L e G). O projeto gráfico da capa reflete o conto mais fraco, sobre um adolescente angustiado, e não representa a totalidade das narrativas. Os outros contos retratam relacionamentos românticos entre adultos de perspectivas que variam entre esperançosas e melancólicas. Particularmente, gostei da sequência com as escovas de dente (foto 2), que diz muito sem a necessidade de diálogos. A força dessa antologia é a abordagem realista dos relacionamentos. 3/5

76. Our dreams at dusk v.01 – Shimanami Tasagare & Yuhki Kamatani. Um mangá sensível sobre um adolescente que sofre bullying quando os colegas encontram pornô gay no seu celular. Tasuku Kaname cogita o suicídio, mas acaba se deparando com a misteriosa “Someone-san” (Srta.Alguém) e a segue até uma casa de acolhimento majoritariamente freqüentada por pessoas LGBTQ+. A partir desse ponto, a narrativa de Kaname se entrelaça com a das outras personagens. Sexualidade, gênero, identidade, ideação suicida e autoaceitação são os temas centrais desse primeiro volume que fala de homofobia sem medo. É desconfortável justamente por expor a realidade. Também é esperançoso, já que a mensagem final é o igualmente realista “it gets better” (vai melhorar). Aguardo ansiosamente pelo momento em que essa pérola seja lançada no Brasil. 5/5

77. Banana Fish v.04 – Akimi Yoshida. O meu volume favorito até o momento fornece um necessário momento de respiro, enquanto a tensão escala para o iminente conflito entre Ash e Arthur, além de um belo desenvolvimento para a relação central da trama. Ash e Eiji se conhecem melhor, trocam juras (“estarei sempre ao seu lado”) e temos um vislumbre de como seria um cotidiano doméstico dos dois. Foi nesse ponto que me apeguei emocionalmente às personagens e ao romance no anime, mas devo dizer que o mangá se saiu ainda melhor tanto nesse aspecto quanto na escalada da tensão do enredo policialesco. 5/5

78 & 79. Yu Yu Hakusho v.18 e 19 – Yoshihiro Togashi. Esse é um dos melhores mangás saídos da Shonen Jump. Tem um ótimo protagonista, um quarteto principal carismático, um romance fofo e aborda bem os temas da amizade e do esforço. Contudo, não gostei muito dos temas da reta final. Sensui é um vilão interessante, mas parece que ele simplesmente trocou uma visão extremista – “todos os yokais são maus e devem ser exterminados” – por outra – “todos os humanos são maus e devem ser exterminados”. É uma visão muito simplista, para não dizer fascista. A forma como o final do mangá parte da denúncia de Sensui para [spoiler] revelar que os yokais eram vítimas do Mundo Espiritual, que os humanos eram muito piores do que eles e que o sumiço da barreira entre os mundos resultou em todos vivendo em harmonia, num belo conto de fadas… É utópico demais pro meu gosto. [/spoiler]

O volume final é o único que apresenta uma narrativa diferente do anime. De modo geral, ao invés de colocar fillers, a adaptação soube ampliar e explorar ao máximo as brechas do mangá. É como se o original fosse um “esqueleto” que ganhou carne no anime. Isso é especialmente verdadeiro para a saga final, cujas lacunas (que iam desde backstory até as lutas) foram preenchidas na adaptação. Contudo, o volume final é o contrário. Togashi se esforçou para amarrar todas as pontas soltas e dar um final definitivo para todas as personagens (dos principais aos coadjuvantes) e para aquele universo. Particularmente, prefiro o final semi-aberto do anime. É mais satisfatório e tem um gostinho de um novo começo na vida das personagens.

Entretanto, considerar o anime melhor não significa nenhum demérito para a obra de Togashi. Mesmo com a queda brusca da arte a partir do volume 13, o mangá ainda entregava um bom roteiro. A única parte realmente decepcionante foi acompanhar as mensagens do mangaká ao longo dos volumes. Denúncias sobre as rotinas de trabalho excessivas e os prazos de entrega absurdos, revelações de que dormia 5 horas por noites. Basicamente a trajetória de como adquiriu uma doença que o afeta até hoje. Togashi ainda não era o renomado autor do sucesso internacional Yu Yu Hakusho quando escreveu o mangá, ele era apenas mais um trabalhador explorado pela Shuiesha (editora responsável pela Shonen Jump).

No mais, a edição “especial” da JBC é padrão, só que em papel offset, ao saudoso preço de R$15,90. A adaptação do texto da primeira metade do mangá é excelente, principalmente com relação às gírias e ao diálogo coloquial das personagens. Contudo, decaiu na segunda metade, colocando referências que não existiam no original. Apesar dos problemas, Yu Yu Hakusho foi uma ótima leitura. 5/5

80. “O que há de estranho em mim” – Gayle Forman. O pai de Brit a colocou na escola reformatória Red Rock contra a sua vontade. Vivenciando abusos e cerceamento da liberdade, ela acabou encontrando apoio entre um grupo de internas. No começo, relacionei a história com o caso da Britney Spears* (Brit também é cantora) e como qualquer comportamento “desviante” pode servir para oprimir uma mulher por meios legais sob a justificativa de “problemas mentais”. Também relacionei com a luta antimanicomial. Contudo, o potencial do livro foi desperdiçado. A Red Rock vacilava entre o irrealismo e a inexpressividade. As protagonistas jamais sofreram consequências muito grandes, nem mesmo quando quebraram completamente as regras. Além disso, tinha altas expectativas por ser um grupo de garotas, mas são unidimensionais e a amizade foi mais “dita” do que desenvolvida pela trama. Há vários momentos importantes para o enredo ou para os laços entre as personagens que aconteceram completamente offscreen e foram resumidos pela protagonista. Para piorar, o final foi amarradinho e exageradamente “felizes para sempre”, sem nunca realmente responsabilizar os verdadeiros culpados (principalmente no caso de Brit). Gayle Forman é uma escritora talentosa, mas não nesse livro. 2/5

* Honestamente, o que Britney Spears fez no seu período de “surto” que não seja quase um rito de passagem para rock stars e pop stars?

81. Bloom into you v.02 – Nio Nakatani. A história me fisgou nesse volume. Bloom into you mostra um romance realista, que busca desconstruir a ideia de que se precisa viver um grande amor épico. Um romance nascido da convivência e da atração física (afinal, Yuu se sentiu atraída e quis ficar com Nanami), que pode não gerar grandes emoções, mas é baseado em suporte e compreensão mútuos.

82. “Os trabalhos de Hércules” – Agatha Christie. Nessa antologia de contos interligados, o detetive Hercule Poirot resolve 12 casos que remetem aos trabalhos de seu homônimo. A Rainha do Crime é consistente em todas as tramas, que são conduzidas de uma forma envolvente, com personagens interessantes, mistérios simples e instigantes. 4/5

83 & 85. Slam Dunk v. 12 e 13 – Takehiko Inoue. No v. 12, a partida contra o Kainan terminou com a triste derrota do time protagonista. Sakuragi amadureceu bastante durante e após o jogo, mas sentindo-se culpado pela derrota, fez uma péssima decisão de vida e raspou o cabelo. As ceninhas com a crush e com o Rukawa também contribuíram para o crescimento do protagonista. Já no v. 13, o time protagonista treinou para as próximas partidas e venceu o lanterna da competição. Enquanto isso, a partida do Ryonan contra o Kainan trouxe todas as emoções de um jogo real (torci tanto pro Ryonan… Sendoh é um ótimo personagem). No fim do volume, o professor Anzai passou mal e foi socorrido por Sakuragi… No final das contas, o protagonista realmente possuía uma backstory trágica (como Inoue evoluiu na construção da narrativa!). 5/5

86. “Eu matei Adolf Hitler” – Jason. Nessa obra do premiado cartunista norueguês Jason, um assassino de aluguel é contratado para viajar no tempo e matar Hitler. Sem dar spoilers, cito a frase mais brilhante da trama: “Hitler sumiu em 1938. A Segunda Guerra nunca aconteceu. O mundo não deveria ser um lugar melhor?” Se o olhar de Jason para a humanidade é melancólico, também é com melancolia que esse quadrinho se releva uma tocante história de amor. 5/5

87. Monster v.06 – Naoki Urasawa. A “assassina loira” era Johan. Essa parte me incomodou um pouco, pois a associação de ser queer – e trans, em particular – com a psicopatia era uma prática comum de vilanização LGBT+ no séc.XX. Urasawa se saiu muito bem escrevendo personagens trans em 20th Century Boys, ele não é transfóbico, mas reproduziu o pior tipo de transfobia aqui. De resto, o volume trouxe outra revelação (o jornalista Grimmer foi um dos órfãos do Kinderheim), mas em geral levantou mais perguntas sobre o experimento comunista e a família dos gêmeos do que realmente respondeu. E no final Tenma foi capturado pela polícia…

88. I hear the sunspot: Limit v.01 – Yuki Fumino. Nessa nova etapa de suas vidas, os estudos universitários de Kohei e o trabalho de Taichi possuem horários difíceis de serem conciliados. A partir disso, há vários desencontros e incompreensões entre o casal. Yuki Fumino mais uma vez escreve uma história com uma imensa sensibilidade e empatia por todas as personagens que povoam o volume. Os capítulos dedicados ao passado de Taichi, em particular, destacam-se por sua beleza. Limit tem tudo para ser mais uma obra-prima da autora. 5/5

89. Card Captor Sakura: Clear Card Arc v. 06 – CLAMP. O melhor volume até o momento entrega respostas e mostra um pouco da backstory dos antagonistas. Espero que represente uma virada para melhor na história de Clear Card Arc.

90. “A tale of a thousand stars” – แซม จ. Nesse BL, Tian recebe um transplante de coração. Curioso sobre a doadora, ele acaba seguindo os seus passos e se tornando um professor voluntário num vilarejo nas fronteiras da Tailândia. Com o tempo, ele se apaixona pela profissão – e também pelo Capitão Phuppha, um rígido soldado que supervisiona a proteção do vilarejo. A adaptação para dorama é uma das melhores coisas que assisti em 2021, mas infelizmente não posso dizer o mesmo do livro. A história tem muito potencial (aproveitado pela série), embora jamais o alcance. Além disso, a propaganda militar/ufanista/monarquista é irritante (a série sabiamente removeu isso) e o casal também funciona melhor na adaptação. Não é sempre que isso acontece, mas dessa vez o live action superou o original. 3/5

91. “Paris para um” – Jojo Moyes. Uma antologia com duas novelas e vários contos. A autora manteve a qualidade na maioria das histórias. Contudo, gostei mais dos contos. Todas as histórias são centradas em mulheres com problemas nos relacionamentos amorosos. Algumas se separam, outras encontram a “pessoa certa”, a grande maioria com uma pegada realista. 3,5/5

92. “Fantasma” – Jason Reynolds. Nesse livro curtinho, Castle “Fantasma” é um pré-adolescente com um passado traumático. Quando disputa uma corrida com uma equipe de atletismo, o treinador o convence a entrar para essa equipe. A fórmula é a mesma da maioria dos filmes norte-americanos sobre esportes: um adolescente pobre, “problemático”, mas com um talento natural para um determinado esporte. Embora esteja relutante, um treinador o descobre e acredita no seu potencial, até o dia em que esse atleta o decepciona e precisa reconquistar o seu lugar na equipe. Além disso, o rival geralmente é um bully antipático.

Esse resuminho pode parecer uma crítica negativa, mas não é o caso. Fantasma é uma boa leitura. Contudo, me fez pensar no porque adoro mangás de esporte. A fórmula dos mangás é diferente. O protagonista geralmente é o azarão, a zebra da competição. Tudo que ele conquista resulta do seu próprio esforço. Quem tem talento natural geralmente é o rival, por isso a “implicância” do protagonista com essa personagem. Além disso, o Japão tem clubes esportivos nas escolas e muitas competições interescolares, o que oferece oportunidade para todos os esportistas. Mesmo nas adaptações chinesas dessas histórias, apenas muda de um cenário colegial para um profissional. As oportunidades são igualmente abundantes.

E no final das contas, é justamente por isso que não gosto da fórmula norte-americana. Ela é todinha sobre meritocracia. Não há muito espaço para os “azarões”, só para aqueles que são tão talentosos que se tornam a exceção à regra. Também é por isso que não gosto do discurso midiático brasileiro em torno dos nossos atletas. As suas histórias de vida são lindas. Contudo, se houvesse investimento de verdade e mais projetos sociais, essas pessoas não seriam exceções. Elas seriam a regra.

Temas a parte, Fantasma é uma leitura rápida e Reynolds é um ótimo escritor. 3/5

93. Given v.05 – Natsuki Kizu. “Quero transmitir. Afinal… Os dedos se afastam. Por mais que desejemos que não. Sinto que me distancio de você a cada estação. Tinha medo do amanhecer, por achar que nunca teria volta. Com certeza, não sou só eu. […] Os dedos sempre acabam se afastando. Mesmo não podendo ir a lugar nenhum. Mesmo não querendo ir a lugar nenhum. As noites sempre amanhecem. Mesmo assim… […] Está tudo bem. Não há como evitar a chegada de uma nova manhã. Mas sempre dá para ir para onde você quiser. Está tudo bem. Só quero transmitir.” Essa letra da nova música de Mafuyu resume os temas de Given. Além disso, é perfeitamente complementada pela resolução do triângulo Haruki x Akihiko x Ugetsu. Ainda não gosto do Akihiko, mas gostei bastante da mudança do Haruki, amor próprio lhe fez muito bem. O detalhe das mãos de Akihiko e Ugetsu se afastando em paralelo com a música ficou muito bonito. 5/5

94. Banana Fish v.05 – Akimi Yoshida. Após o fim da luta com Arthur, presenciada por Eiji para o desespero do protagonista, Ash é levado para um hospital e depois sequestrado em uma suposta “clínica de saúde mental” (de experimentos clandestinos com o banana fish). Correndo o risco de bater na mesma tecla, mais uma vez achei o ritmo do mangá melhor. Os acontecimentos fluem com mais naturalidade. 5/5

95. “Os bilhões de Arsène Lupin” – Maurice Leblanc. Confuso, entediante, sem nenhum carisma e com um enredo mirabolante, desconexo e sem sentido. O que foi aquela coisa ridícula da tigresa? Terminei a leitura sem saber qual era a história. Só sei que essa é a pior versão de Lupin, com direito a uma péssima mensagem no final (ele se sobrepondo a vontade de uma mulher para forçá-la a se casar com o sujeito que a abandonara – e que ela várias vezes antes deixara claro que não o queria de jeito nenhum). 1/5

96. Slam Dunk v. 14 – Takehiko Inoue. O início da partida do time protagonista contra o Ryonan, sem a presença do técnico porque o professor Anzai foi hospitalizado. A pressão disso sobre capitão unida ao medo de sofrer uma contusão fizeram Gori se abalar emocionalmente, mas Sakuragi o ajudou a recuperar a confiança.

97. “O visconde que me amava” (Bridgertons v.2) – Julia Quinn. O visconde de Bridgerton decide que este será o ano do seu casamento. A sua “escolhida” para fazer a corte é a solteira mais cobiçada da temporada, Edwina, mas é a irmã dela, Kate, que verdadeiramente atrai a atenção de Anthony. A mocinha começa muito bem, com uma língua afiada e uma implicância mais do que compreensível com relação ao mocinho escroto. Contudo, ela é “domada” após o casamento e perde a personalidade forte. Já Anthony é um babaca do começo ao fim (beijar Kate e ainda continuar planejando se casar com Edwina, o chilique por Kate querer esperar uma semana para consumar o casamento, entre outros momentos que reforçam a babaquice do mocinho). Eu gosto da escrita de Quinn, dessa mistura do chick lit com o harlequin resultando numa leitura rápida e que prende a atenção, mas o livro anterior foi mais divertido e tinha um casal mais simpático. 3/5

98. Haikyu!! v.01 – Haruichi Furudate. O time de Hinata perde a sua primeira partida contra o time de Kageyama no ginasial. Hinata jura que um dia o derrotará, mas por uma coincidência do destino os dois acabam estudando na mesma escola no colegial e entrando para a equipe de vôlei da Karasuno. Com uma premissa simples, mas subversiva (a rivalidade padrão de mangás de esporte dando lugar para amizade & parceria), Haikyu!! é um ótimo mangá. Contudo, tive um pouco de dificuldade para ler por conta da encadernação e das páginas transparentes.

99. Bloom into you v.03 – Nio Nakatani. Esse mangá continua sendo uma grata surpresa. Nesse volume, Yuu decide que jamais se apaixonará, mas fica óbvio que os seus sentimentos por Nanami estão crescendo gradualmente. Além disso, há um foco maior na rival no amor, Sayka, e a introdução de um casal de mulheres adultas. Esse mangá reúne o melhor do gênero romance escolar.

100. “Vidas secas” – Graciliano Ramos. Esse clássico da literatura brasileira retrata a triste existência de uma família fugindo da seca. Os temas centrais desse livro são a desigualdade social, a opressão do trabalhador rural na década de 1930, a violência policial e algumas reflexões sobre (im) possibilidades de estudo para famílias pobres na época. Destaco este trecho da página 33:

“Então por que um sem-vergonha desordeiro se arrelia, bota-se um cabra na cadeia, dá-se pancada nele? Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas as injustiças. E aos conhecidos que dormiam no tronco e agüentavam cipó de boi oferecia consolações – “Tenha paciência. Apanhar do governo não é desfeita.” Mas agora rangia os dentes, soprava. Merecia castigo? […] O governo não devia consentir tão grande safadeza. Afinal para que serviam os soldados amarelos?”

O posfácio de Hermenegildo Bastos elucidou bastante a leitura. Eu apreciaria se mais edições de clássicos viessem acompanhadas de material de apoio desse nível, colocado *depois* do romance. Tirando algumas quebras de palavras que atrapalharam um pouco a leitura, a edição da Record é muito boa. “Vidas Secas” já estava na minha listinha de Futuras Leituras há anos e por isso é um marco que seja a minha 100ª resenha de 2021.

101. Monster v.07 – Naoki Urasawa. Embora ainda não tenha oferecido respostas, esse volume avançou consideravelmente a trama sem levantar novas perguntas. O período de Tenma na cadeia só serviu pra introduzir uma nova personagem, um advogado que detinha uma possível fonte de informações sobre o passado de Johan. Além disso, Tenma fugiu para salvar Eva, e o foco nela sempre fornece ótimos momentos. Enfim, mais um bom volume de Monster.

102. On or off v.01 – A1. Nesse manhwa, Ahn Yi-Young abre uma startup com as amigas da faculdade. Contudo, acontece um problema no dia da apresentação do seu produto para uma empresa. Desesperado, Yi-Young vai atrás do diretor Kang, responsável pela seleção dos produtos, o que acaba resultando em um mal-entendido. Eu sei que há muitas problematizações sobre On or Off, mas achei que a autora conduziu muito bem a situação. O protagonista ficou compreensivelmente pistola com a babaquice do par romântico, que foi retratado como estando errado e, por sua vez, se arrependeu genuinamente e pediu desculpas. Só posso dizer uma frase: GOOD WRITING, man. 5/5

103. “Sonhos elétricos” – Philip K. Dick. Nessa excelente antologia de contos de ficção científica, o autor aborda inúmeras possibilidades dentro do gênero. Realidade artificial, robótica, alienígenas, distopia, etc. Todos os contos são magistralmente construídos, trazendo temas que vão do clássico “o que é ser humano?” a uma metáfora para regimes totalitários, em que as pessoas ignoram um corpo pendurado na praça pública. Além disso, a edição da Aleph conta com um texto de cada roteirista que adaptou um desses contos para a série da Amazon, antecedendo ao conto escolhido e explicando o que lhe atraiu naquela história. Um material de qualidade que recomendo para todos os fãs de ficção científica e interessados em boas histórias. 5/5

104. Ao no flag v.01 – Kaito. Nesse sensível shounen escolar, Taichi promete ajudar Fatuba a conquistar seu amigo de infância Touma. A review a seguir contém spoilers. O que parecia ser um típico setup de triângulo amoroso é subvertido pela sexualidade das personagens. A capa acima é brilhante em mostrar claramente quem gosta de quem. Destaco também a página em que Touma, se reprimindo, exagera na descrição do “tipo” de mulher que lhe atrairia – o único momento em que olha para Taichi é justamente quando diz a verdade.  O diálogo sugestivo ao final: um amor não correspondido e impossível. Além disso, por mais que acompanhemos Taichi lentamente se apaixonando por Futuba, o subtexto entre os amigos de infância é bastante revelador. Quem lembra detalhadamente da descrição do “tipo” de outra pessoa anos depois da conversa e cria toda uma teoria da conspiração sobre quem o amigo gosta? Ué, só pode ser quem se compara com esse “tipo” e se ressente dessa suposta amada… Enfim, mais do que uma vingança do subtexto queer, Ao no Flag é um mangá muito bonito, com boas personagens e que se propõe a discutir sexualidade na adolescência. Parabéns a Panini pelo lançamento. 5/5

105. Real v.01 – Takehiko Inoue. Um mangá sobre basquete em cadeira de rodas feito pelo autor do mangá de esportes mais vendido de todos os tempos. Real tem o humor e o carisma de Slam Dunk, mas também possui um drama humano mais realista. Ele gira em torno de três protagonistas, cujas histórias são entrelaçadas: Nomiya, que abandonou a escola depois de causar um acidente que deixou sua namorada paraplégica; Kyoharu, um talentoso jogador de basquete de cadeira de rodas que se afastou do time após socar um colega; e Takahashi, um jovem que vivenciou uma grande tragédia já nesse primeiro volume… Real é um mangá cheio de representatividade de uma minoria que raramente ganha espaço na mídia. Além disso, com três perspectivas diferentes, Inoue construiu uma história que tem uma das mais belas facetas da diversidade: a pluralidade de origens, sentimentos, opiniões e vivências das personagens.

P.S. O timing da Panini de lançar Real junto com a Paralimpíadas de Tóquio 2020 foi uma boa sacada, contudo, como comprei numa promoção de pré-venda, acabei recebendo os volumes 01 e 02 no mesmo dia. Haha

106. Monster v.08 – Naoki Urasawa. A principal função desse volume é preparar o cenário para a conclusão da história com todas as personagens principais seguindo para Frankfurt. Além disso, o volume encerra com um bom plot twist (quais as consequências dele? Só espero que Urasawa não coloque Johan como vítima). Por fim, finalmente descobrimos a motivação de Johan (vingança em nome da mãe). A minha parte favorita foi o “desvio” no bairro dos imigrantes, é nesses momentos dedicados a personagens aleatórios que Urasawa brilha. 5/5

107. Guardiões do Louvre (v. único) – Jiro Taniguchi. A mesma coisa que comprar um panfleto do Museu do Louvre, com a diferença de que o panfleto deve ser mais divertido. Eu comprei o ebook e li no celular (por causa das cores), o que prejudicou na apreciação da melhor parte (a arte do mangaká). Pelo menos foi barato. 2/5

108. Monster v.09 – Naoki Urasawa. Com um clímax coeso, focado nas personagens principais, Monster chega a sua eletrizante conclusão. Eu preciso de um tempo para digerir o final, mas já posso adiantar que estou satisfeita. Temática e estruturalmente, Urasawa entregou tudo. Todos os finais – inclusive os dolorosos – fecharam os arcos das personagens mais importantes. A ambiguidade do final existe a parte, como se nos convidasse para uma nova aventura enquanto repete a velha pergunta: Johan é fruto da natureza ou da criação? O que fará o “monstro” a seguir? É possível o perdão (todos os humanos são passíveis de redenção) ou ele é verdadeiramente um monstro? 5/5

Lista de resenhas

Durante o ano, eu procurei resenhar brevemente todas as minhas leituras. O objetivo era guardar os meus principais pensamentos sobre cada uma das obras. No podcast, comentei as melhores leituras de 2019. Aqui está a lista completa.

Sem enrolações, segue a lista: Continuar lendo

Comentando Blood-C

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Saya Kisaragi é a sacerdotisa do templo de uma pacata cidadezinha e passa seus dias entre seu ofício e a escola. Mas a cidade e seus amigos se tornam alvo de criaturas monstruosas, os “antigos”, e cabe a ela empunhar a espada para enfrentá-los!

Detalhes da edição:

13 x 18 cm
200 páginas
Capa Cartão
Lombada Quadrada
Papel Pisa Brite
Publicação Bimestral
Preço: R$ 10.90
Distribuição Setorizada

Em 2011 passou no Japão o anime resultante da parceria entre o estúdio Production I.G. e o grupo de mangakás CLAMP. Com um início monótono, o anime feito por figurões e levando consigo o nome da excelente franquia Blood rendeu 12 episódios, um filme (Blood-C: The Last Dark, 2012) e o mangá de quatro volumes sobre a responsabilidade de Ranmaru Kotone.

É a versão shounen mangá que a Panini Comics, no selo Planet Mangá, lançou no Brasil em 2013. Como o anime me proporcionou tédio na melhor das hipóteses, comprei o mangá por não resistir às propensões de colecionadora, gostar do trabalho da Panini (tão bom quanto usual em Blood-C), colecionar a franquia Blood e os produtos com a assinatura CLAMP. E não me arrependi.

Enquanto Blood-C poderia ter utilizado de um maior desenvolvimento de suas tramas e personagens, quatro volumes era o ideal para o enredo principal. No terceiro volume está o plot twist interessantíssimo e inovador que talvez não tivesse o mesmo efeito caso a história fosse maior (pois muda completamente a percepção sobre todas as personagens envolvidas).

A verdadeira personalidade de Saya é tão gostável quanto a sua personalidade falsa, e o vilão – apesar de seus motivos que poderiam ser mais desenvolvidos – é interessante. Embora a combinação entre terapia e um flertar tradicional (ele é rico!) solucionariam seus problemas. As personagens que acompanhamos no último volume são legais e caso haja uma continuação com Saya e esse grupinho, serei uma leitora fiel.

Ranmaru Kotone é o “desconhecido” entre os autores de Blood-C. Embora não seja o primeiro trabalho seu que é uma adaptação (tendo já adaptado light novels e filmes antes), ele costuma fazer mangás de curta duração. A arte dele é competente e facilmente apreciável com o formato que a Panini utiliza para a franquia Blood (um dos melhores que tem a oferecer entre os formatos simples).

Recomendado para os que gostam de uma aventura (não tão vampírica quanto seus antecessores), Blood-C é legal, a reviravolta compensa a confusão inicial que proporciona. É construído no ritmo ideal para a trama, embora a falta de explicação sobre a identidade por trás do gato falante possa ser frustrante para os que desconhecem a obra da qual ele provém. Há easter eggs fáceis de encontrar para os fãs do CLAMP (inclusive no gato).

Nota geral: ♥♥♥

Review: As Peças Infernais – Cassandra Clare

Capas originais.

Capas originais, respectivamente, de Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica.

A trilogia de fantasia urbana As Peças Infernais (Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica) é prequel de Os Instrumentos Mortais, se passando 130 anos antes na Inglaterra vitoriana. Conta a história de Tessa Gray, que vai para Londres viver com o irmão mais velho, para então ser sequestrada pelas Irmãs Sombrias, as quais pretendem casá-la com um líder do Submundo – seu contratante Mortmain – e forçá-la a utilizar seus recém-descobertos poderes de se transformar em outras pessoas a serviço de Mortmain e seus autômatos numa guerra contra Os Caçadores de Sombras (guerreiros que protegem o mundo dos demônios e membros do Submundo).

Salva e oferecida abrigo pelos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, Tessa envolve-se num triângulo amoroso com os Parabatai (e melhores amigos) Will e Jem, enquanto tenta descobrir a verdade por trás do seu nascimento e de sua habilidade. Enquanto o triângulo certamente é capaz de dividir os leitores entre os “times” do Will ou do Jem, em nenhum momento Tessa é tratada como um objeto a ser disputado com um vencedor ganhando seu coração, e a amizade entre os garotos é um dos pontos fortes da saga. Continuar lendo